Friday, September 12, 2008

Domínio Público



"Ninguém me venha dar a vida,
que estou morrendo de amor,
que estou feliz de morrer,
que não tenho mal nem dor,
que estou de sonho ferida,
que não me quero curar,
que estou deixando de ser,
e que não me quero encontrar,
que estou dentro de um navio
que sei que vai naufragar,
já não falo e ainda sorrio,
porque está perto de mim,
o dorso verde do mar
que busquei desde o começo
e estava apenas no fim.
Corações porque chorais?
Preparai meu arremesso
para as algas e corais.
Fim ditoso, hora feliz:
guardai meu amor sem preço
que só quis a quem não quis."

Cecília Meireles

Ah, Cecília, quanta poesia em tua vida.
Quanta angústia, querida,
quanta lágrima sofrida.

Ah, Cecília, quanto pranto banha teu rosto
envelhecido, enrugado desgosto
que amou, sonhou e choveu.

E nem no amor sorriu,
aceitou, se iludiu,
se entregou e preferiu as doces palavras.

Ah, quantas palavras roubaste-me
lançaste ao mar, ao vento
antes que eu pudesse laçá-las.

Na verdade, quisera eu, querida Cecília,
que estas palavras
pertencessem somente a ti.

Paty - set/08

Thursday, September 11, 2008

Untitled


"Eu volto por minhas asas
Deixe-me voltar
Quero morrer sendo ontem
Quero morrer sendo manhã.

Eu volto por minhas asas
Deixe-me voltar
Quero morrer sendo manancial
Quero morrer sendo mar."

Federico Garcia Lorca

Wednesday, September 10, 2008

Quarta nota - Vambora

Aos corações partidos que ainda guardam esperanças. Porque é de esperança que se constrói o amanhã, é da esperança que se consegue a força para caminhar, é da esperança que se busca a realização dos sonhos.

VAMBORA
Adriana Calcanhoto




Entre por essa porta agora
E diga que me adora

Você tem meia hora

Prá mudar a minha vida

Vem, vambora

Que o que você demora

É o que o tempo leva...

Ainda tem o seu perfume

Pela casa

Ainda tem você na sala

Porque meu coração dispara?

Quando tem o seu cheiro

Dentro de um livro

Dentro da noite veloz...


Ainda tem o seu perfume

Pela casa

Ainda tem você na sala

Porque meu coração dispara?

Quando tem o seu cheiro

Dentro de um livro


Na cinza das horas...

Sunday, September 07, 2008

Carta Aberta ou Mudanças


É... o vento da mudança passou por aqui... por nós... criou vendaval, mudou sentimentos... Mais um amor que vira amizade (ou continua sendo...).
"Isso também passará". Como é difícil para aceitarmos a efemeridade dos bons momentos. Por que só nos lembramos dessa frase nas horas críticas? Lembrar dessa frase na felicidade talvez permitisse-nos fazer as coisas com mais cautela... Ou não.
No meu caso, eu aproveito ao máximo, me entrego completamente sem me preocupar com o amanhã. Sim é um risco... Quanto mais alto, maior a queda. Mas realmente eu prefiro o risco que a vida oferece. O que seria das horas felizes se não fossem regadas por algumas lágrimas? Jamais daríamos tanto valor à felicidade...
A única coisa pela qual eu torço é que os momentos felizes sejam sempre mais duradouros, valham mais a pena, do que os de desilusões.
Livre de novo... quase pronta para alçar vôo em direção aos meus sonhos, deixando um pouco de lado os sentimentos dessa vez.
É interessante... estou deveras triste, mas não guardo mágoas, nem umazinha sequer e, consequentemente, nem arrependimentos. Tudo foi vivido no tempo certo e na intensidade necessária.
Saudade... A saudade fica. Impossível não sentir falta dos bons momentos. Alguns talvez até possam ser revividos quando for possível colocar o amor à parte.
A gente não escolhe quem a gente ama ou deixa de amar, mas escolhemos nossos amigos e quem devemos esquecer. E seja lá qual for o motivo que esse amor não tenha durado, a amizade tem tudo para permanecer. Afinal, foi dela que esse amor nasceu, foi baseada nela que esse amor cresceu e é por ela que esse amor se transforma em um amor de amigo, um amor de irmão.
Seja sempre bem vindo ao meu coração, querido amigo!

Madrugada de 07/09/08

Wednesday, September 03, 2008

Quarta nota - Beatriz

Para sempre é sempre por um triz.

Uma bela canção, homenageando o lugar onde me encontro: o palco!

Beatriz,
Chico Buarque



Olha

Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da atriz

Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Olha
Será que ela é de louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Sim, me leva pra sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Aí, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz

Olha
Será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia
Será que é divina
A vida da atriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se o arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida

Sunday, August 31, 2008

Brisando


"Quem vai e parte chorando
Leva consigo mais do que uma despedida
Carrega a esperança de uma vida
A saudade de uma tarde linda
E um amor de que jamais será esquecido."

Paty - ago/08

Wednesday, August 27, 2008

Quarta nota - 27/08

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve), as saudades.

(Desconheço o autor)

Mudar é bom, mas não é fácil! Mesmo assim temos que nos deixar envolver pelo vento da mudança de vez em quando para que as coisas não fiquem empoeiradas demais, velhas demais... E a mudança pode ser até num pequeno detalhe e tudo se renova.
Ah, vida nova!!! Para isso, às vezes é necessário se desfazer de algum passado... Aquele que dispensa fotos, sons e cartas de amor... aquele que se basta na lembrança.
Com vocês,

TENDO A LUA
Paralamas do Sucesso



Eu hoje joguei tanta coisa fora
Eu vi o meu passado passar por mim
Cartas e fotografias gente que foi embora.
A casa fica bem melhor assim

O céu de ícaro tem mais poesia que o de galileu
E lendo teus bilhetes, eu penso no que fiz
Querendo ver o mais distante e sem saber voar
Desprezando as asas que você me deu

Tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua
Merecia a visita não de militares,
Mas de bailarinos
E de você e eu.

Eu hoje joguei tanta coisa fora
E lendo teus bilhetes, eu penso no que fiz
Cartas e fotografias gente que foi embora.
A casa fica bem melhor assim

Tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua
Merecia a visita não de militares,
Mas de bailarinos
E de você e eu.

Tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua
Merecia a visita não de militares,
Mas de bailarinos
E de você e eu.

Monday, August 25, 2008

Amor X Sexo


Esses dias me peguei em pleno devaneio sobre esses dois assuntos e resolvi lançar minhas conclusões ao vento.
É fato que o amor é o sentimento supremo e que um relacionamento tem que necessariamente ter amor para sobreviver. Mas ele sobrevive sem o sexo?
A gente aprende que o amor está a cima de tudo, inclusive do sexo. Mas pensando bem, observando relacionamentos alheios, vejo que a coisa não é bem assim e o sexo acaba se sobrepondo...
Como? Blasfêmia!!!
Não, não é! Pelo que observo concluo que nem o maior amor do mundo entre duas pessoas sobrevive sem o sexo.

Por favor, comentem!!!

Friday, August 22, 2008

O silêncio



É o silêncio...
Sim, o silêncio.
O silêncio que leva a alma flutuar
Desejar estar em outro canto,
Viver outra vida,
Seguir outros sonhos...

O silêncio...
Que faz a cabeça funcionar
Viajar para longe
Acordar sonhos que já estavam esquecidos.

Silêncio...
Que nos faz refletir,
Avaliar nossos atos,
Rever nossos conceitos.

Que nos traz pessoas distantes
Que nos leva as angústias
Que abre e liberta nossa mente
Das mais absurdas torturas.

O silêncio tão necessário hoje em dia,
Abafado pelo barulho dos motores da cidade
Da briga dos pais,
Dos tiros no morro,
Da música alta no ouvido da juventude
Para abstrair tudo isso.

O silêncio...
Para trazer de volta a paz nas famílias
Nas casas,
Nas ruas...
No coração dos Homens,
Que só querem caminhar sossegados
Nas belas noites de lua
Admirando o cinza da cidade
E apreciando o silêncio.

Ah... o silêncio!

Paty - 22/08/2008

Há um tempo estou pensando em escrever algo sobre o silêncio. Os três dias que fiquei sem poder falar me fizeram perceber que para cada coisa importante que eu deixava de dizer, outras 100 desnecessárias também ficavam guardadas comigo. Outras tantas coisas que evitavam conflitos, mágoas... Por não falar no impulso, eu pude repensar o que eu queria ter dito e se valia a pena mexer em tal vespeiro. Ou então encontrar uma forma mais amena de dizer algo desagradável.
Se bem que não sou muito de falar sem pensar... mas muita gente é... e as vezes até enche a boca para dizer: "Eu não guardo, não, falo mesmo!" Numa atitude totalmente impensada e egoísta.
Agora quem acha que perde uma oportunidade se ficar calado, pense quantas não perdeu por não ter ficado...
Silêncio... falta um minuto de silêncio no mundo. Um minuto que leve a reflexão do caos que estamos vivendo e do que precisamos fazer para ajudar a mudar isso.
Que tal começarmos com um minuto de silêncio?

FRASE DO DIA:
"Só entende o valor do silêncio quem tem a necessidade de calar para não ferir alguém."
(Desconheço o autor)

Wednesday, August 20, 2008

Quarta nota - 20/08

Aos corações apaixonados a mais pura declaração de amor. Aproveito para dedicar esta música ao jovem poeta que encanta minha alma e ilumina meus sonhos. LYTMAF

PAZ DO MEU AMOR,
Luiz Vieira



Você é isso,
Uma beleza imensa.

Toda recompensa

de um amor sem fim.


Você é isso,

uma nuvem calma

no céu de minh'alma.
É ternura em mim.


Você é isso,

estrela matutina,
luz que descortina

um mundo encantador.

Você é isso,

parto de ternura,

lágrima que é pura,
paz do meu amor!


Wednesday, August 13, 2008

Quarta Nota - 13/ago

Bom... procurei uma música que tinha tudo a ver com o momento que estou passando. Por conta de uma inflamação nas cordas vocais estou obrigada a fazer um repouso vocal absoluto. Sendo assim, tinha pensado na música "O Silêncio" do Arnaldo Antunes. Porém, além de não achar o vídeo dessa música no youtube, eu também voltei a refletir...
Muita gente diz que "perder a voz" é por falta de dizer as coisas que te incomodam, o que eu acho que não é o meu caso, já que falo pelos cotovelos o que devo e o que não devo. Mas foi pensando nisso que elenquei uma música da década de 80. Ela é internacional, mas abaixo do vídeo segue a letra e tradução.
Com vocês, a Música da semana: Shout, Tears for Fears



Shout, Shout, Let it all out
These are the things I can do without
Come on, I'm talking to you, come on

Shout, shout, let it all out
These are the things I can do without
Come on, I'm talking to you, come on

In violent times
You shouldn't have to sell your soul
In black and white
They really really ought to know
Those one track minds
That took you for a working boy
Kiss them goodbye
You shouldn't have to jump for joy
You shouldn't have to jump for joy

Shout, shout, let it all out
These are the things I can do without
Come on, I'm talking to you, come on

They gave you life
And in return you gave them hell
As cold as ice
I hope we live to tell the tale
I hope we live to tell the tale

Shout, shout, let it all out
These are the things I can do without
Come on, I'm talking to you, come on

Shout, shout, let it all out
These are the things I can do without
Come on, I'm talking to you, come on

Shout, shout, let it all out (let it all out)
These are the things I can do without
Come on, I'm talking to you, come on

And when you've taken down your guard
If I could change your mind
I'd really love to break your heart
I'd really love to break your heart

Shout, shout, let it all out
These are the things I can do without
Come on, I'm talking to you, come on

Shout, shout, let it all out
These are the things I can do without
Come on, I'm talking to you, come on

TRADUÇÃO: GRITE
Grite, grite, ponha tudo para fora
Estas são as coisas sem as quais eu posso me arranjar.
Vamos, estou falando com você, vamos...

Grite, grite, ponha tudo para fora
Estas são as coisas sem as quais eu posso me arranjar.
Vamos, estou falando com você, vamos...

Em tempos violentos
Você não devia ter de vender sua alma.
Em preto e branco,
Eles realmente, realmente deviam saber.
Aquelas mentes-estreitas
Que pensaram que você fosse um rapaz trabalhador,
Dê-lhes um beijo de adeus.
Você não devia ter de pular de alegria...
Você não devia ter de pular de alegria...

Grite, grite, ponha tudo para fora
Estas são as coisas sem as quais eu posso me arranjar.
Vamos, estou falando com você, vamos...

Eles te deram vida,
E em troca você deu-lhes o inferno,
Tão frio quanto gelo.
Eu espero que nós sobrevivamos para contar a história,
Eu espero que nós sobrevivamos para contar a história...

Grite, grite, ponha tudo para fora
Estas são as coisas sem as quais eu posso me arranjar.
Vamos, estou falando com você, vamos...

Wednesday, August 06, 2008

Quarta Nota - 06/ago

Estou inaugurando hoje uma parte do meu blog dedicado inteiramente a Música. E Música com letra maiúscula mesmo, pois ela está presente no nosso dia-a-dia e é uma das fontes a qual eu recorro sempre que as palavras me faltam.
Meu companheiro blogueiro, Luiz, fez algo parecido no blog dele e pedi a permissão de copiar, por isso, a partir de hoje toda Quarta-Feira teremos o QUARTA NOTA, onde poderemos encontrar vídeos e letras de músicas diversas, desde as mais eruditas até as mais atuais... Desde que tenham algum conteúdo, claro! Porque música sem conteúdo não pode ser considerada nem música, muito menos com letra maiúscula.
E olha só... Para começar a falar desse assunto, hoje tropecei num site dedicado ao I Centenário do Disco Brasieliro que traz os Top 100 sucessos de cada ano desde 1902 até 2005.

http://www.hot100brasil.com/timemachinemain.html

Fui xeretar o que estava tocando de bom no ano que nasci, 1979, e a primeira música da lista é um clássico: O Bêbado e o Equilibrista. Para tanto resolvi que esta seria a música a inaugurar o "Quarta Nota". Com vocês, a eterna Elis Regina, numa de suas maiores interpretações.






O BÊBADO E O EQUILIBRISTA

Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos
A lua, tal qual a dona do bordel,
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel
E nuvens, lá no mata-borrão do céu,
Chupavam manchas torturadas, que sufoco!
Louco, o bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil pra noite do Brasil.
Meu Brasil
Que sonha com a volta do irmão do Henfil.
Com tanta gente que partiu num rabo de foguete.
Chora a nossa pátria mãe gentil,
Choram Marias e Clarisses no solo do Brasil.
Mas sei que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente, a esperança
Dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha pode se machucar
Azar, a esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista
Tem que continuar...

Monday, August 04, 2008

De repente 30


Não... ainda não alcancei a casa dos "INTA", mas estou quase lá: pouco mais de 5 meses. O interessante é que as pessoas falam que a gente passa por crises quando chega em determinadas idades. Bem, cheguei aos 15, passei pelos 18, tropecei nos 21 e quase nem percebi os 25. Porém o "3.0" nem chegou ainda e já está me incomodando.
Sabe quando você se cansa de viver os dias iguais e resolve que quer mudar, dar uma guinada, fazer uma revolução geral? Daí você ergue a cabeça, olha prá frente e dá de cara com aqueles "3" e "0" te encarando.
Não é a minha vida sentimental/amorosa que está me incomodando, não. Essa eu já mudei, ignorei totalmente esse nomerozinho aí, esnobei, torci o nariz e mudei mesmo. Mudança difícil e conturbada, mas sem arrependimentos. Hoje estou em paz, amando e sendo amada, satisfeita e com muitos planos.
O que incomoda nessas 3 décadas é o caminho da minha vida profissional. Como é possível eu ter escolhido tão errado? Quanto tempo mais eu tenho que comer dessas garfadas amargas para financiar meu sonho , a minha vontade de ser atriz?
Sonhos... Quantos já vivi... quantos ainda falta viver. De quantos já abri mão e de quantos desistirei novamente por conta dos meus sentimentos?
Vejo pessoas a minha volta correndo atrás do que querem, dedicando-se 24 horas por dia aos seus sonhos e me vejo nelas. Eu... nos meus 18, 19, 20 anos... Como eu me divertia, como eu buscava, como eu acreditava!
É isso que vejo quando olho prá trás: a menina que abraçava o mundo e acreditava ser capaz de mudar a realidade a sua volta com um pedaço de giz e lousa.
Hoje me encontro tão cansada de tudo, desanimada, sem vontade de sequer tentar mostrar um mundo novo, colorido pelo conhecimento.
E lá na futuro, lá na frente, a grande interrogação está rodeada pelos meus sonhos. Sonhos que parecem tão distantes, separados de mim por um caminho tão obscuro. Sonhos que eu mesma fui adiando e hoje tenho medo de não conseguir alcançá-los a tempo. A cada manhã agradeço por ter mais um dia de vida, por poder dar um passo a mais em direção a eles. Agradeço ao bocado amargo que tenho que engolir sem mastigar para financiar mais um pedacinho de realização pessoal.
Tento ser otimista, mas confesso que pensar nos 30 me deprime. Porque só agora me dei conta que a cada passo é um dia e qualquer momento pode ser tarde demais para chegar até meus sonhos.
Quanto aos sentimentos, nisto estou bem resolvida. Mesmo que não possa vir a viver meus sonhos, eu amo... Amo minha família, meus amigos, meu namorado, meu cãozinho... Amo o verão, o dia que nasce, o entardecer, a Lua e o Sol, mesmo quando eles não aparecem.
Pode até parecer loucura, mas entre meus sonhos e meus sentimentos, ainda fico com meus sentimentos, pois eles são reais, eles são e estão presentes e são eles que me movem às realizações.
E tem outra: o mundo pode roubar todos os meus sonhos, negar a realização de todos eles, mas meus sentimentos não... Esses não, porque esses são meus, seja aos 15, aos 20 ou aos 30.

"Eu não tinha esse rosto de hoje
assim calmo, assim triste, assim magro.
Nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha essas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas.
Eu não tinha esse coração
que nem se mostra.

Eu não dei por essa mudança
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida minha face?"

(Cecília Meireles)

Tuesday, July 29, 2008

Oração ao Dia Seguinte


Amanhã, apaixone-se!

Porque o dia seguinte é o dia mais importante da sua vida.
É no dia seguinte que sabemos se o dia de ontem valeu a pena.
É no dia seguinte que acordamos para a realidade ou dormimos no sonho.
A vida da gente começa no dia seguinte e só existe uma maneira de viver: apaixonado!

Por isso,

DANCE,
dance como se ninguém estivesse vendo você;
TRABALHE,
como se não precisasse de dinheiro;
CORRA,
como se não houvesse chegada;
AME,
como se nunca tivesse sido magoado antes;
ACREDITE,
como se não houvesse frustrações;
GRITE,
como se ninguém estivesse ouvindo;
BEIJE,
como se fosse eterno;
SORRIA,
como se não existissem lágrimas;
ABRACE,
como se fossem todos amigos;
DURMA,
como se não houvesse amanhã;
CRIE,
como se não existisse crítica;
,
como se não precisasse voltar;
ACORDE,
como se nunca mais você fosse dormir de novo;
FAÇA A PRÓXIMA VIAGEM,
como se fosse a última;
VISTA-SE,
como se não conhecesse espelhos;
PROPONHA,
como se não existissem as recusas;
BRINQUE,
como se não tivesse crescido;
LEVANTE,
como se não tivesse caído;
CASE,
como se não houvesse outro;
MERGULHE,
como se não houvesse medo;
OUÇA,
como se não existisse o certo ou o errado;
FALE,
como se não existisse o certou ou o errado;
APRECIE,
como se fosse eterno;
VIVA,
como se não houvesse fim.

Prefira

SER invés de ter
SENTIR invés de fingir
ANDAR invés de parar
VER invés de esconder
ABRIR invés de fechar

Apaixonar-se é um exercício de jardinagem:
Arranque o que faz mal;
Prepare o terreno;
Semeie;
Seja paciente, espere, regue e cuide.
Terá um jardim.
Mas esteja preparado, porque haverá pragas, secas ou excesso de chuvas. Se desistir, não terá um jardim, terá um descampado.

A paixão não se vê, não se guarda, não se prende, não se controla, não se compra, não se vende, não se fabrica.
A paixão é a diferença entre o sucesso e o fracasso, entre a dúvida e a certeza, entre aqueles que gostam do que fazem daqueles que fazem o que gostam.
Apaixonados não esperam, agem.
A paixão é o que faz coisas iguais serem diferentes.
Lembre-se que a Arca de Noé foi construída por apaixonados que nada conheciam de navegação e embarcação e o Titanic foi feito por engenheiros profissionais fabulosos que queriam mostrar seu poder.

Amanhã quando acordar, pense se hoje valeu a pena e apaixone-se, porque em 24 horas você vai entrar no dia mais importante da sua vida: o Dia Seguinte!

(Desconheço o autor)

Saturday, July 26, 2008

Cores


Cinza... é uma cor que realmente não me agrada. Ô corzinha mais sem graça, sem personalidade. Não é capaz de juntar todas as cores, senão seria branco. Mas também não se livra de todas elas, se assim fosse, seria preto.
Cinza nem é uma cor completa, já que também é chamada de meio-tom. Na vida, também é usada para definir o meio-termo. Aquela sensação sabe, quando você não está feliz, por isso não vê o mundo colorido, mas também não está no fundo do poço vendo tudo num breu só. Quando se está numa fase de tristeza e desânimo, vc abstrai quase todas as cores e passa a ver tudo cinza, sem graça, sem sal.
Mas nem tudo está perdido para o cinza. Até a mais sem graça das cores pode ser combinada com as demais. Até o meio-tom pode ter tonalidades diferentes para combinar com o azul, o vermelho, o verde e até mesmo o preto e o branco. Isso até garante um certo equilíbrio.
No nosso mundo particular temos uma festa de cores: o verde esperança, o rosa amor, o vermelho pecado, o azul amizade, o roxo saudade e, entre todas essas, o cinza das horas.
Por vezes uma cor se sobressai às outras, toma conta e liberta os devaneios do nosso coração. É assim que acontece, está certo, as cores movem nossos sentimentos / momentos. Só não podemos deixar que uma única cor prevaleça por muito tempo, porque o excesso pode ser prejudicial, seja ela o vermelho, o rosa, o roxo e, principalmente, o cinza.

Friday, July 25, 2008

Fuga virtual


O que você faz quando olha do lado e se vê sozinho? Todos têm algo o que fazer e juram que adorariam fazer algo com você, mas sempre tem algo que os impede.
Não tenho idéia quanto ao passado, como era possível lidar com essa situação. Mas hoje em dia... hoje em dia ninguém mais fica sozinho porque existe um mundo paralelo edificado por códigos binários onde você pode ser o que quiser.
É tão simples montar cidades e cenários, lugares maravilhosos, ilhas paradisíacas, iates de última geração. E o melhor, cheios de amigos. Festas e mais festas, bebidas sem o problema da lei seca, sexo livre de qualquer doença ou de uma gravidez indesejada. O mundo perfeito onde tudo é possível e o dinheiro nunca falta.
E quando o corpo pede o descanso, existe o botão mágico chamado "Sign out" e pronto, você apaga as luzes e vai dormir, feliz por ser tão popular e divertido no mundo cibernético.
Lá vc conhece pessoas que se tornam amigos de infância... Não por demagogia, não. São pessoas que te entendem muito bem porque sofrem da mesma realidade: a ausência. E aqui não estou falando de falta de carinho, de afeto. É a ausência física. A compania de alguém que tope ir ao cinema, ou para tomar um refrigerante no shopping, ou simplesmente sentar-se no banco de uma praça (aquela na esquina de casa) para falar mal da vida dos outros e dar muita risada.
Mas afinal, quem precisa disso? Toque, sensações, carinho no rosto, sorriso fraternal? Ninguém mais precisa se preocupar em ser amável, em dar ou receber carinho, desde que tenha uma internet banda larga e uma conta no google.
Isso me faz crer que quanto mais colorido fica o mundo virtual, mais cinza fica a vida.

Desculpe, caros leitores, por esse blog estar ficando deveras pesado. Mas esse é o único canto onde o vento pode espalhar essas palavras e sentimentos que me consomem, que a cada dia que passa mais me faz crer que eu também sou uma ilha.

"Às vezes tudo que eu queria era alguém para pular do precipício comigo para me ensinar a voar!" (Eu por mim mesma)

Thursday, July 24, 2008

Saudade...


... é quando você vai e seu coração fica;

... é quando alguém vai e deixa o coração;

... é quando se está em um lugar querendo estar em outro;

... é quando você larga tudo para ir atrás de alguém que vale a pena;

... é quando você não quer ir embora;

... é quando você não quer que alguém vá embora;

... é quando você se despede chorando;

... é quando você espera sorrindo pelo momento certo;

... é quando você ama além da distância.

Paty - jul/2008

Wednesday, July 23, 2008

Tédio


É quando você fica andando de um lado para o outro dentro de casa e não encontra nada legal para fazer. O interessante é que era tudo o que você queria: férias, para não fazer nada.
No primeiro dia é legal, no segundo dia é legal. Mas depois de uma semana, você já acorda tarde porque não tem nada prá fazer. Como é quase hora do almoço, nem toma café e já vai logo para a refeição e então deita para assistir "Vale a pena ver de novo" (e às vezes nem vale) e "Sessão da Tarde". Que fim de feira!!!
Mas isso tudo não é o pior: a coisa fica feia mesmo quando você decide que vai reagir, que vai fazer algo legal e diferente das suas férias e resolve ligar para seus amigos. Pega sua agenda, folheia letra por letra e constata: você está sozinho. Alguns não estão de férias, outros estão, mas tão sem grana, uma tá grávida, outra tem um bebê pequeno, sem contar os telefones que chamam e ninguém atende (claro, já devem estar fazendo legal).
Então você para e pensa: quem toparia? Numa esperança louca de filtrar seus amigos a fim de encontrar um que esteja sofrendo o mesmo mal que você. E eis que mais uma vez vem a triste constatação: aqueles que topariam moram muito longe. Aqueles que estão prontos para encarar qualquer parada moram em outro Estado.
E é isso que me faz parar para pensar o que há de errado. É comigo? É com os outros? Ou sou eu que não pertenço mais a este lugar e devo expandir meus horizontes?
Daí quando eu digo que o que eu queria era jogar tudo pro alto e botar o pé na estrada, eu sou a louca, a inconsequente.
E então as pessoas não entendem a minha necessidade de "fugir" de vez em quando. A verdade é que quando tomo uma atitude dessas, ela não é infundada ou impensada. É porque eu já pensei e considerei muito as coisas e que se aqui estou sozinha, vou ao encontro de alguma companhia.
Era só isso que eu precisava, alguns dias de loucura que fizessem com que eu não me sentisse tão só.

Wednesday, July 16, 2008

Ao som do terceiro sinal


E quando as cortinas se fecham, sempre esperamos o anúncio do próximo espetáculo, a próxima obra. Mas não foi assim que aconteceu naquele dia. A própria chamada já anunciava o fim.
Causou repúdio, revolta, apelos... Como poderíamos ficar alheios aquele mundo? Como poderíamos aceitar aquela ausência?
Por quê? Não, as explicações não convenciam, como não convenceram. E clamamos, reclamamos e imploramos.
Uma platéia que esperou anciosa pelo dia da volta, que arrastou dois longos meses aguardando um café quentinho cheio de borra. E foi para felicidade de todos que as cortinas estão se abrindo novamente. A mão estendida nos chama a participar, o olhar faceiro agradece as boas vindas, o rosto de menino traz um sorriso mais maduro, porém com tanta sinceridade quanto antes.
Sim... está diferente, mudado, um novo visual, novos objetivos, promessa de surpresas... Personagens borbulhando num misto de fantasia e realidade. Mas tem coisas que não mudam, não tem como mudar. A essência é a mesma. As palavras doces que tocam a alma e que, mesmo quando amargas, nos fazem refletir.
Isso não muda, não pode ser mudado, afinal, o coração é o mesmo e está transbordando de novidades.
Preparem-se amigos, o terceiro sinal já foi acionado e o espetáculo está só começando!

www.borradevida.blogspot.com

Monday, July 14, 2008

Muitos Dias Bons


Tá bom, eu sei... muitos dias sem escrever... teias de aranha prá todo lado. Mas cheguei para limpar a área, varrer o pó e espantar o baixo astral do post abaixo. Sim... momentos difíceis... O teatro me suga de tal forma que às vezes acho que não vou conseguir chegar ao fim do curso. Porém, falta muito pouco, só mais dois semestres para nossa formatura. Fechamos um semestre macabro e bizarro, onde muitas vezes não acreditamos na nossa própria capacidade de fazer dar certo. É nessas horas que a gente vê o trabalho de grupo. Com todas as brigas e desentendimentos que todo grupo tem direito, vencemos mais uma etapa, mais um ciclo se fechou. E não posso deixar de agradecer a turma 40, meu querido grupo, pelo apoio que eles me deram para que eu continuasse o caminho com eles. Enfrentei um exame de interpretação e realmente meu castelinho caiu. Se não fosse essa turma me ajudar a reconstruí-lo, eu teria desistido, como da outra vez. Eles me apontaram erros, mostraram caminhos e demonstraram algo que eu não tinha: a confiança em mim para realizar mais essa tarefa. Agora está aí, a partir de agora somos o Núcleo 40 de Teatro.

Para fechar esse post, vou deixar algo que vi em outro blog e resolvi copiar: segue a baixo um pouquinho sobre mim.

Um mês: Janeiro (férias)

Um dia da semana: Sexta

Uma bebida: Marguerita

Uma comida: Shimeji

Um pecado: Preguiça

Uma qualidade: Otimismo

Um defeito: Desatenção

Uma fruta: Morango

Uma flor: Lisianto (mas não para ganhar, gosto de flores nos jardins, enfeitando o cinza da cidade)

Uma cor: Vermelho

Um animal:
Águia

Um som: Solo de guitarra

Uma música: Pais e Filhos (o mundo precisa de Amor Incondicional)

Um estilo músical: Rock (de nacional a internacional, de white metal a hard core)

Um sentimento: Cumplicidade

Um livro: O menino do dedo verde

Um escritor: Manuel Bandeira

Um lugar: Praia

Uma parte do corpo: Olhos (são o espelho da alma)

Uma expressão facial: Sorriso (o melhor remédio e, às vezes, o único que se tem)

Um filme: Sociedade dos Poetas Mortos (porque sugar a essência da vida é imprescindível para aprender a viver)

Uma estação: Verão

Um amor: A Vida

Um momento: Hoje

Uma frase: O tempo não pára...

Monday, June 30, 2008

Só um dia ruim...

"Sim, às vezes naufraga-se pelo caminho, mas se isso me viesse a acontecer, deverias escrever nos anais do porto que o ponto a que cheguei foi esse." (José Saramago - O conto da ilha desconhecida)

"Essa angústia que me queima, que me envolve, que me arde
É do olhar de confiança que me lanças,
É do medo de não corresponder as expectativas,
De ser fraca, de ser tarde...
É querer ser eu, ser tu, ser todos nós
É querer agradar a mim, a ti, a eles
Que se juntam comigo formando vozes
É querer, ter um desejo ardente de seguir junto
(Tão longe já chegamos...)
Tudo porque não serei capaz de aguentar outra despedida."

Paty - 30/06/08

Thursday, June 26, 2008

"Decifra-me ou te devoro"

"...E na esfinge do teu desejo,
Marca com teu beijo
Essa boca que te ordena.

Ama-me pela eternidade
Nesse amor que ri, que chora,
Que me condena..."
Paty - 26/06/2008

Inspirado nos escritos de um grande poeta, Hudson Pereira. Para saber mais acesse o link:

http://hudsonstyle.blogspot.com/

Tuesday, June 24, 2008

Intensamente


Vivo de extremos...

Na maioria das vezes sou extremamente feliz.
Brinco, dou risada, canto, danço,
conto piada e me entrego à vida
bebendo aos goles o que ela tem de melhor.

Às vezes estou extremamente triste.
Me entrego à decepção e refletindo sobre mim
me acho extremamente inútil,
extremamente descompromissada,
extremamente desfocada,
extremamente preguiçosa...

Tento entender o porquê de não me dedicar a meus objetivos,
Acabo por traçar novas metas,
Abandono meus sonhos para logo voltar correndo à eles
E começar tudo de novo,
Extremamente empolgada.

Tem horas que sou extremamente louca.
Faço o que me dá vontade,
Sou inconsequente, irresponsável.
Vivo completamente no limite,
Quebro as leis, esqueço as regras.
Perco totalmente a noção do perigo:
perigo de crescer, de viver, de ser feliz.

(Perigo de perder o emprego,
De não fechar as notas,
De ficar grávida,
De morrer...)

Na ânsia de viver como se fosse o último dia
Quase sempre vivo extremamente a mil,
Dizendo ao mundo que eu amo,
Que eu vivo,
Que eu existo,
Que sou feliz,
Extremamente feliz.
E quero dividir isso com o mundo.

Quando amo,
Amo ao extremo,
Porque eu aprendi
Que se não se ama demais, não se ama o bastante.

Apaixonada,
Carrego o maior amor do mundo,
Para libertá-lo em forma de palavras,
Carícias,
Sorrisos,
Olhares,
Loucuras de amor...

Me entrego extremamente a quem amo
Para que essa pessoa
Possa me amar além do limite do céu.
E como o céu não tem limite,
Caminharemos juntos prá sempre.
Sendo extremamente felizes...

Extremamente... Para quê se contentar com o mínimo?!?

Thursday, June 19, 2008

Apenas refletindo


"Se esse fosse o último dia de sua vida, você faria o que está prestes a fazer hoje?"

A princípio eu responderia que não... Se eu soubesse que hoje é o meu último dia de vida, a última coisa que eu gostaria era de estar enfurnada em uma sala de aula tomando conta de adolescentes que nem meus filhos são, que se recusam a aprender algo para o futuro.
Eu gostaria era de estar na praia, nem que fosse só para olhar o mar... E queria aquela pessoa do meu lado, a minha família, meus amigos... E iria cobrar o meu último beijo de boa noite a cada um deles.
No final da tarde, iria ao teatro, subiria no palco e representaria o papel da minha vida. Seria aplaudida de pé enquanto as cortinas se fechariam. Com elas também meus olhos, mergulhados no mais profundo silêncio quebrado apenas pelo último suspiro, pela última batida de um coração prisioneiro da rotina, das responsabilidades, escravo do dinheiro nesse mundo consumista.
Esta é uma pergunta que me deprime. Não, não estou fazendo o que gostaria, não estou onde gostaria de estar, mas o que posso fazer de imediato? Largar tudo seria a mais completa loucura. Viver apenas pelos meus prazeres e não só pelas responsabilidades.
Porém, acredito que consigo dosar tudo isso. Faço o que tenho que fazer, meio a contra-gosto, forçada pela situação, mas não deixo de me divertir, admirar o que a vida me dá de belo, pensar no meu amor, reviver momentos...
Pensando bem, se hoje fosse o meu último dia de vida, eu faria o que tenho que fazer sorrindo, porque um sorriso é capaz de melhorar tudo. Faria tudo que me desagrada, mas colocando tudo de mim, aguçando meu olhar para buscar o lado bonito de tudo.
Por pior que as coisas possam parecer, depende de nós, da nossa capacidade de ver o copo meio cheio para fazer o nosso dia valer a pena.

Porque só depende de mim se meu dia será bom ou ruim.

Sunday, June 15, 2008

Datas Comemorativas

"Te dou meu coração, queria dar o mundo"
(Roupa Nova - Seguindo no Trem Azul)

Esse post era para ter entrado no Dia dos Namorados, porém o tempo tá apertado com o final do bimestre...
Tenho refletido sobre o assunto "datas comemorativas". No dia das mães disse que não tava a fim de escrever e agora o dia dos namorados acabou passando batido também. Volto a reforçar: não é descaso não. Mas ultimamente essas datas têm perdido o seu valor sentimental e tudo que vemos é uma enxurrada de marketing como se o amor pudesse ser vendido, comercializado ou até mesmo medido de acordo com o tamanho do presente ou do cartão ofertado. Nem o nascimento e ressurreição de Cristo (Natal e Páscoa) estão livres desse tipo de comércio.
Porém para mim, eu adoro comemorações, e essas datas específicas têm significados especiais. Elas são uma forma de quebras a rotina, a correria diária que nos impede de olhar nos olhos de quem amamos e ofertar um beijo singelo. Não amo meu pai, minha mãe, meu namorado, meus amigos somente nesses dias, porém, é movida pelo sentimento de festa, que mudo minha rotina nesse dia para me fazer presente, estar presente. É nesse dia que até uma frase tão comum como "Eu te amo" é dita de forma especial.
E não, não é preciso muita coisa. Não é necessário um cartão enorme, que a pessoa nem tem onde guardar depois, para representar o tamanho do meu amor. Aliás, o dia que meu amor (seja pelo meus familiares, amigos ou namorado) couber num cartão, eu mesma vou rever meus sentimentos, pois talvez eu não esteja amando o suficiente.
Um cartão, não importa um tamanho, tem simplesmente a finalidade de se fazer presente. Trazer os sentimentos de quem está longe querendo estar perto. Na verdade, nem é necessário o cartão. Basta palavras enviadas numa carta perfumada que já faz toda a diferença.
Há pessoas que se recusam a "comemorar" essas datas dizendo que são dias muito óbvios que não há surpresa em se dar presentes, cartões, cartas. Durante muito tempo esse ponto de vista me convenceu e muitas vezes abri mão da quebra de rotina. Mas hoje percebo que isso me faz falta. Não o presente, o cartão, a carta... Mas a lembrança, o estar e se fazer presente. E nem é preciso estar fisicamente junto.
Qualquer forma de lembrar daqueles que amamos já faz a diferença. E é tão simples de se fazer... Um e-mail, um sms, um telefonema qq forma de comunicação feita com amor, carinho e todo seu sentimento. Quando a gente faz isso, nem é necessário cartões enormes ou construções monumentais de presente. O coração já será suficiente.

Tuesday, June 03, 2008

Devaneios (também tenho os meus)


Ando tão romântica,
mas as palavras não me saem...
Estão todas presas no meu coração,
no meu pensamento.
Cavalo alado de tormento,
de saudade,
felicidade de momento.

Quero sair, gritar,
correr prá te encontrar.
Quero tirar seu sono,
quem sabe assim eu te ganho,
roubo um beijo,
me desmancho de desejo.

Leio poemas de amor,
busco nas palavras de outros
a melhor forma de me expressar,
de te amar,
te sentir...
Quero seguir lado a lado contigo,
sem esperar um minuto sequer,
ser sua mulher...

Quero, quero, quero
sua boca a cada segundo
seu corpo suado,
seu suspiro profundo
seu gemido calado,
na calada da noite
onde só a lua,
só a luz da lua nos acompanha.

Preciso me desfazer em palavras
para fugir no vento,
e no devaneio de meus pensamentos
te encontrar
do outro lado do oceano
só para dizer que te amo!

Paty - 03/06/2008

Thursday, May 29, 2008

Clube dos Cinco

Um dia resolvi aderir ao mundo virtual e montei esse meu blog. Escrevi um dia, dois... Daí passava meses sem escrever e assim foi por quase dois anos. Foi então que percebi que escrever em um blog é diferente do que escrever em uma agenda ou na última folha do caderno de faculdade. Quando eu encarava aquela folha branca e começava a rabiscar meus sentimentos, era simplesmente para mim, como uma forma de desabafo, para aliviar uma angústia ou comemorar egoisticamente uma alegria.
Porém, quando sento-me na frente do PC e escrevo nesse blog, eu estou literalmente lançando minhas Palavras ao Vento, libertando-as para que elas possam sair voando e pousar no colo das pessoas despertando sensações e emoções, sem distinção de raça, credo ou cor.
Quem me ensinou isso foi uma pessoa muito querida, que ao me apresentar ao seu blog, me fez sonhar e viajar em cada palavra. Elevou minha alma, me fez acreditar na minha espiritualidade, me fez sorrir, chorar, me revoltar e despertou em mim a vontade de me expressar não mais só para um caderno. Eu queria comentar aquelas palavras, escrever novos posts no meu canto para que fossem comentados também. E quando eu menos esperava, já estava vivendo na Borra de Vida. E, logo eu que nunca gostei de borra, estava me deliciando naquele mundo.
E a minha curiosidade foi maior. Me levou a outros escritos virtuais, onde comecei a compartilhar mais histórias, mais opiniões, mais palavras que adocicavam meu dia.
O que eu encontrei? Um outro canto que pertence a alguém que se diz metade vazia... Mas a outra metade... Ah, a outra é Metade Repleto transbordando sonhos, dúvidas, incertezas. Mostra-me um mundo o qual eu já pertenci e que eu adoro relembrar.
Desse canto foi um click para me ver perdida em meio aos Devaneios Aleatórios de uma menina moça que grita aos quatro ventos que é alguém e tem opinião própria sim, que a adolescência é difícil, causa conflitos, mas também nos deixa sensíveis ao mundo que, visto pelas suas palavras, parece tão menos perigoso e mais bonito.
E falta aqui um quinto lugar, que veio me jogando na cara que tudo que a gente precisa é amor. Sim, e fez isso em inglês ainda por cima, como na música ...All We Need Is Love! Trouxe no vento minuano um jeito todo especial de ver a vida, uma responsabilidade de início de carreira daquela pessoa que ainda não perdeu a fé nas palavras, nas pessoas, na vida.
E é isso que nós, Luiz, Mare, Luiza, Deise e eu, temos em comum: o amor pelas palavras e a esperança de mudar o mundo através delas. E isso está tão enraizado em nós que, inconsientemente, tomamos a responsabilidade de colorir a vida com essas palavras, por mais amargas e cinzas que de vez em quando elas possam parecer.
Porém o dia-a-dia não é só esse mundo de letras, frases, posts, mensagens. Há as responsabilidades reais: o vestibular, a luta diária por uma estabilidade no mercado de trabalho, as provas no fim do bimestre, o exercício teatral há menos de um mês da estréia, a internet que nem sempre ajuda.
Por motivos diversos e pessoais no início do ano deixamos de ter os Devaneios Aleatórios que me levavam de volta à minha adolescência. E agora, temos que nos mudar da Borra de Vida também, trocando essas palavras por mais um pedaço de realidade.
Agora estamos nós, Mare, Deise e eu, fazendo o possível para que o excesso de responsabilidades não soterre nossas palavras enquanto aguardamos a volta de nossos queridos amigos à rede.

Luiza e Luiz, não demorem, pois sentirei (e estou sentindo) falta do cantinho de vocês, que se tornou também tão meu.

Sunday, May 11, 2008

Somos tão jovens

Sei que hoje é dia das mães. Claro que minha mãe merece não só uma, mas várias homenagens... E, sinceramente, não gosto da idéia que seja hoje. É óbvio demais. Como minha mãe merece ser homenageada todos os dias, em breve farei um post para isso... Mas não hoje.
Além disso, não quero escrever hoje. Hoje minha alma necessita cantar. Talvez o grito de um leve desespero, talvez uma depressão de inverno, coisa passageira. Talvez por uma solidão de momento, por uma lágrima se formando no canto do olho. Talvez para recuperar um tempo perdido.
Sábio poeta... "Somos tão jovens..." E assim o seremos enquanto continuarmos nos apaixonando!!!

Tempo Perdido

Todos os dias quando acordo
Não tenho mais o tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo tempo do mundo

Todos os dias antes de dormir
Lembro e esqueço como foi o dia
Sempre em frente
Não temos tempo a perder

Nosso suor sagrado
É bem mais belo que esse sangue amargo
E tão sério e selvagem
Selvagem, selvagem

Veja o sol dessa manhã tão cinza
A tempestade que chega é da cor dos seus olhos
Castanhos

Então me abraça forte
E diz mais uma vez que já estamos
Distantes de tudo.

Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo

Não tenho medo do escuro
Mas deixe as luzes acesas

Agora,
O que foi escondido é o que se escondeu
E o que foi prometido
Ninguém prometeu
Nem foi tempo perdido

Somos tão jovens
Tão jovens
Tão jovens.

(Legião Urbana)

Friday, May 09, 2008

A um amigo...


Corra... mas não só! Antes de fugir, lembre-se de levá-la contigo. E quando encarar o espelho, apegue-se a ela, agarre-a para subir à superfície. E se sentires que não aguentas mais, deixe as lágrimas caírem por fora também para te aliviar. Não é vergonha, tampouco fraqueza, chorar, gritar, se desesperar... E mesmo que ninguém venha te acudir de imediato, ela tem que estar ali. É ela que vai manter a porta da igreja fechada para que as pedras não te atinjam, ela que vai suturar os cortes da alma, que vai aliviar a rouquidão, a tosse seca e os olhos vermelhos da fumaça... Além disso, ela também não vai te deixar fugir, porque só ela vai te mostrar a liberdade, as cores, Deus, o amor.
É por ela que os corredores cinzas se tornarão floridos e poderás deixar para trás as feridas e os traumas.
Ai como eu queria segurar sua mão nesse momento, deitar sua cabeça no meu colo e te fazer dormir. Transmitir a você a certeza que tudo se resolverá em breve. Colocar no seu bolso a Fé que lhe falta, para que ela te proteja e te acompanhe.
Por favor, eu e Iolanda te imploramos: LEMBRE-SE DA SUA FÉ!!! Estamos e estaremos sempre com você, uma de cada lado, sussurrando no seu ouvido:
"Se a fé remove montanhas, mas você tem que empurrar também, você deve continuar empurrando, mas sem deixar de lado sua fé. Senão, todo esforço será em vão!"
Força sempre!!!

Sunday, May 04, 2008

Luz e sombra

Fugir... correr... sentir o vento nos cabelos
Ah... liberdade que escapa entre os dedos...
Eterno apelo de um coração completo
Sonhador e indiscreto
Incapaz de esconder um sorriso de satisfação
Ou uma lágrima de decepção
Aquariano torto
Se desmanchando no bucolismo da vida
No saudosismo do amor
Na dor de ser o que é.
Ser fogo, ser água, ser ar
Presos num corpo de mulher!

Sunday, April 27, 2008

Romantismo Moderno

Essa semana me peguei falando algo que em outras épocas seria contrário a tudo que eu acreditava. Em uma conversa, me vi afirmando categoricamente que casar virgem é uma visão muito romântica nos dias de hoje. Acho que já passei pelas três fases do romantismo, já tive aquele ufanismo, já me entreguei ao mal do século achando que morreria aos 21 anos como os grandes românticos, já utilizei todos exageros possíveis e imagináveis (e ainda uso...). E como, logo eu, me dou o direito de criticar uma atitude romântica? Casar virgem é romantismo? E daí? Conheço pelo menos duas mulheres que se casaram virgens beirando os trinta anos em pleno século XXI e, ao que me consta, são muito felizes e não se arrependem.
Os tempos mudaram, o romantismo também. Hoje existem novos valores, outros olhos para ver a vida. Mas o romantismo não acabou. Poderia até existir uma nova fase, quem sabe um Romantismo Realista, ou um Romantismo Moderno.
E quanto aos que decidem não se casar virgens, isto é, quando decidem casar, não há falta de romantismo nenhum.
O fato do casal não ter cedido aos desejos no primeiro encontro, ter aguardado o momento e o lugar certo para fazer valer a pena, o fato da mulher fazer com que ele saiba que entre outros que já passaram pela sua cama, ele foi o escolhido para ficar nela para sempre. Fazer com que ele compreenda que ele não foi o primeiro no seu corpo, mas que será o último.
Isso é romântico, é ser romântica. O romantismo não está naquele que chegou primeiro e que pode querer ir embora um dia (e às vezes até vai), mas naquele que, entre tantas mulheres, se aninhou nos seus braços e deixa claro prá você que veio para ficar... prá sempre!!!

Tuesday, April 22, 2008

Para rir e refletir...


Dar não é fazer amor

Dar é dar.
Fazer amor é lindo,
é sublime,
é encantador,
é esplêndido,
mas dar é bom pra cacete.

Dar é aquela coisa
que alguém te puxa os cabelos da nuca,
te chama de nomes que eu não escreveria,
não te vira com delicadeza,
não sente vergonha de ritmos animais.

Dar é bom.
Melhor do que dar, só dar por dar.

Dar sem querer casar,
sem querer apresentar pra mãe,
sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.

Dar porque
o cara te esquenta a coluna vertebral,
te amolece o gingado, te molha o instinto.

Dar porque
a vida de uma publicitária em começo de carreira
é estressante, e dar relaxa.

Dar porque
se você não der para ele hoje,
vai dar amanhã, ou depois de amanhã.

Dar sem esperar ouvir promessas,
sem esperar ouvir carinhos,
sem esperar ouvir futuro.

Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para as mais desavisadas, talvez anos.
Mas dar é dar demais e ficar vazia.

Dar é não ganhar.
É não ganhar
um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro
quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém pra querer casar,
para apresentar pra mãe,
pra dar o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar:
"Que cê acha amor?".

Dar é inevitável,
dê mesmo, dê sempre, dê muito.
Mas dê mais ainda,
muito mais do que qualquer coisa,
uma chance ao amor, esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa,
cura o mau humor,
ameniza todas as crises e faz você flutuar
o suficiente pra nem perceber as catarradas na rua.

Se você for chata, suas amigas perdoam.
Se você for brava, suas amigas perdoam.
Até se você for magra, as suas amigas perdoam.
Mas... experimente ser amada."

Luís Fernando Veríssimo

Wednesday, April 16, 2008

Depoimento

"O meu nome é Luciana e vim contar a vocês que eu nasci no momento em que morri. Parece estranho, né? Mas é verdade. Foi assim, no momento em que me vi encarando aquele exame. Foi assim que a mulher de negócios, preocupada com a queda da bolsa e a alta do dólar foi soterrada por seus próprios pensamentos na vontade eminente de viver.
Mas já era tarde... Aquela mulher sem família, sem lugar fixo, sem tempo prá mais nada, já estava a sete palmos, coberta pela culpa de ter dito não antes mesmo de ter chegado ao altar, por ter passado pelas principais cidades do mundo e não ter sequer uma foto com a Torre Eifel ao fundo ou uma onde ela apareceria tentando segurar a Torre de Pisa.
Foi ali, com aquele resultado na mão que nasceu Luciana, jovem e viva, que decidiu olhar não só para frente, mas para os lados. Aquela que adiou a reunião em Tóquio para almoçar com o irmão, cunhada e sobrinhos. Aquela que, no dia de sol, errou o caminho do trabalho e foi parar no litoral com os amigos, comendo peixe à beira do mar. Aquela que marcou um dia a mais na viagem de negócios para conhecer a Ilha da Liberdade e constatar a Liberdade Iluminando o Mundo.
É interessante que a vida nos leva a morte, mas melhor ainda é constatar que da morte pode nascer a vida. E ao trocar o olhar sério pelo brilho de um sorriso, até a esperança de um novo amor reacendeu meu coração.
Quanto tempo dura o amor? Eu não sei, mas se a morte é apenas uma viagem, esse amor eu levarei comigo.
Quanto tempo dura a felicidade? Eu não sei, mas se o amor caminha ao meu lado, não há como não ser feliz.
Quanto tempo dura a vida? Eu não sei, mas com certeza será eterna para aqueles que foram plenamente felizes.
E não... não é difícil ser feliz. A felicidade é uma daquelas coisas que você encontra quando para de procurar... Assim como o amor... Assim como a vida.
Eu encontrei a minha, mas tive que encarar aquele resultado de exame primeiro. E você? Vai esperar a Dama Branca bater à sua porta? Cuidado, ela não costuma avisar quando está chegando, por isso, colham logo os seus botões de rosas, porque a pior queda é a morte em vida, e se há vida, jamais existirá a morte!
O exame? Deu negativo... É por isso que eu vivo!
Meu nome é Luciana e eu falei!"

Pense nisso!

Thursday, April 10, 2008

É assim que se morre...

Ares, deus grego da Guerra, corresponde a Marte na Mitologia Romana

Ela saiu no fim da aula, descontraída, rindo e falando alto com os amigos que iriam pegar carona com ela.
Fez o mesmo caminho até chegar no carro, que estava no mesmo lugar... O mesmo que há 3 anos estacionava para atender às aulas.
Tudo estava como sempre, exceto pelo rosto que espiava na janela e resolveu se manifestar:
_ Ei, você! Espere que eu vou tirar o meu carro de trás do seu para você não bater nele de novo.
Menina muito calma e tranquila. Não é da sua personalidade deixar-se atingir por coisas pequenas. Mas naquele dia, naquele momento, ela decidiu que aquilo não era uma coisa pequena:
_ Como assim? Quando eu bati no seu carro?
O senhor saiu da casa, falando alto e apontando o dedo na cara dela.
Mas quem ele pensa que é para fazer isso com ela? Ele nem sequer viu, sequer tem provas... e se viu, porque não falou na hora?
Ela levantou a voz também se defendendo, não poderia deixar que a acusassem tão injustamente.
Essa pirralha que mal tirou carta... quem é ela para falar assim com um senhor tão experiente? (Claro que só podia ser uma pirralha para causar tamanho estrago, se fosse um homem de 1,80m o senhor nem teria se dado o trabalho de interpelá-lo)
E a discussão continuou com uma senhora, esposa do velho, colocando a cabeça para fora da janela e gritando que era ela sim, a motorista que tinha batido no carro dias antes... afinal a senhora é a testemunha ocular, viu tudo.
Os amigos já dentro do carro gritavam para ela deixar prá lá e irem logo embora, mas ela não ouvia... estava totalmente influenciada por Ares, assim como o velho casal.
Foi no momento que os amigos decidiram sair do carro para acalmar aquela discussão que se ouviu o disparo. A arma na guia da calçada, o sangue se misturando com o resto de chuva da enxurrada, um corpo no chão.
De quem era o corpo, pouco importa... Tanto faz se era o da menina que não chegará a concluir o curso de direito ou do velho que não estará com seus netos no próximo natal.
O importante é lembrar daquelas letras garrafais que apareceram no momento e foram imprudentemente ignoradas:
VALE A PENA?

É... É assim que se morre!

Sunday, April 06, 2008

O Ciclo Sem Fim

Oroboros, do grego, aquele que devora a própria cauda e representa o eterno retorno, o verdadeiro ciclo da vida.

Estive pensando nas pessoas que nos deixaram nesse início de ano. Amigos, parentes, famosos que cumpriram suas missões na Terra e deixaram saudades de sua presença, sua alegria...
Em contrapartida, vejo também os anjos recém-chegados, recebidos de braços abertos e com festas, para integrar nosso círculo de amizades, aumentar a família. Vejo com alegria aqueles que ainda estão por vir, protegidos ainda e cuidados com carinho até chegar o momento de marcar a sua presença no mundo.
Assim, constatamos visivelmente o ciclo da vida acontecendo.
Fico imaginando quando vai acontecer comigo... Quando chegar a minha hora de contribuir com o meu gene para perpetuar a minha família e transmitir o meu legado. É algo que me assusta... me assusta ser mãe, mas é o instinto de toda mulher e, confesso, que nunca tive tanta vontade de sentir um novo ser se desenvolvendo dentro de mim, uma junção do amor sincero entre duas pessoas.
Já quis ser mãe por inúmeras razões: para segurar namorado, para agradar minha mãe, para que meu avô não partisse sem conhecer o bisneto, para tentar (em vão) salvar meu casamento...
Mas agora é diferente... Talvez pelo tempo passando e sussurando no meu ouvido que eu sou mulher e não posso esperar muito para decidir. Porém, não é só isso, é algo mais forte. É o fato de ter encontrado alguém com quem eu quero compartilhar mais esse momento, alguém com quem eu quero estar junto e não há outro motivo senão completar a nossa felicidade, apesar de saber que ainda leva um tempo para conseguirmos acertar nossa condição.
Sei que meu relógio biológico está correndo, mas não estou com pressa, ainda tem tempo. Quero aproveitar cada dia, cada momento compartilhado, cada palavra de amor trocada, cada lágrima de saudade, cada beijo de reencontro... tudo devagar e deliciosamente saboreado para fazer cada minuto valer a pena, para comemorar a conquista de cada obstáculo vencido.
Só assim eu estarei satisfeita na hora em que eu tiver que sair de cena. Satisfeita e realizada, deixando minhas palavras rabiscadas nas folhas de um velho caderno, saudades aqueles que participaram efetivamente ou não da minha vida e, principalmente, o legado que Brás Cubas negou, eternizando-me nas minhas gerações seguintes...
Tudo isso para deixar a minha marca nesse ciclo sem fim.