Monday, June 30, 2008

Só um dia ruim...

"Sim, às vezes naufraga-se pelo caminho, mas se isso me viesse a acontecer, deverias escrever nos anais do porto que o ponto a que cheguei foi esse." (José Saramago - O conto da ilha desconhecida)

"Essa angústia que me queima, que me envolve, que me arde
É do olhar de confiança que me lanças,
É do medo de não corresponder as expectativas,
De ser fraca, de ser tarde...
É querer ser eu, ser tu, ser todos nós
É querer agradar a mim, a ti, a eles
Que se juntam comigo formando vozes
É querer, ter um desejo ardente de seguir junto
(Tão longe já chegamos...)
Tudo porque não serei capaz de aguentar outra despedida."

Paty - 30/06/08

Thursday, June 26, 2008

"Decifra-me ou te devoro"

"...E na esfinge do teu desejo,
Marca com teu beijo
Essa boca que te ordena.

Ama-me pela eternidade
Nesse amor que ri, que chora,
Que me condena..."
Paty - 26/06/2008

Inspirado nos escritos de um grande poeta, Hudson Pereira. Para saber mais acesse o link:

http://hudsonstyle.blogspot.com/

Tuesday, June 24, 2008

Intensamente


Vivo de extremos...

Na maioria das vezes sou extremamente feliz.
Brinco, dou risada, canto, danço,
conto piada e me entrego à vida
bebendo aos goles o que ela tem de melhor.

Às vezes estou extremamente triste.
Me entrego à decepção e refletindo sobre mim
me acho extremamente inútil,
extremamente descompromissada,
extremamente desfocada,
extremamente preguiçosa...

Tento entender o porquê de não me dedicar a meus objetivos,
Acabo por traçar novas metas,
Abandono meus sonhos para logo voltar correndo à eles
E começar tudo de novo,
Extremamente empolgada.

Tem horas que sou extremamente louca.
Faço o que me dá vontade,
Sou inconsequente, irresponsável.
Vivo completamente no limite,
Quebro as leis, esqueço as regras.
Perco totalmente a noção do perigo:
perigo de crescer, de viver, de ser feliz.

(Perigo de perder o emprego,
De não fechar as notas,
De ficar grávida,
De morrer...)

Na ânsia de viver como se fosse o último dia
Quase sempre vivo extremamente a mil,
Dizendo ao mundo que eu amo,
Que eu vivo,
Que eu existo,
Que sou feliz,
Extremamente feliz.
E quero dividir isso com o mundo.

Quando amo,
Amo ao extremo,
Porque eu aprendi
Que se não se ama demais, não se ama o bastante.

Apaixonada,
Carrego o maior amor do mundo,
Para libertá-lo em forma de palavras,
Carícias,
Sorrisos,
Olhares,
Loucuras de amor...

Me entrego extremamente a quem amo
Para que essa pessoa
Possa me amar além do limite do céu.
E como o céu não tem limite,
Caminharemos juntos prá sempre.
Sendo extremamente felizes...

Extremamente... Para quê se contentar com o mínimo?!?

Thursday, June 19, 2008

Apenas refletindo


"Se esse fosse o último dia de sua vida, você faria o que está prestes a fazer hoje?"

A princípio eu responderia que não... Se eu soubesse que hoje é o meu último dia de vida, a última coisa que eu gostaria era de estar enfurnada em uma sala de aula tomando conta de adolescentes que nem meus filhos são, que se recusam a aprender algo para o futuro.
Eu gostaria era de estar na praia, nem que fosse só para olhar o mar... E queria aquela pessoa do meu lado, a minha família, meus amigos... E iria cobrar o meu último beijo de boa noite a cada um deles.
No final da tarde, iria ao teatro, subiria no palco e representaria o papel da minha vida. Seria aplaudida de pé enquanto as cortinas se fechariam. Com elas também meus olhos, mergulhados no mais profundo silêncio quebrado apenas pelo último suspiro, pela última batida de um coração prisioneiro da rotina, das responsabilidades, escravo do dinheiro nesse mundo consumista.
Esta é uma pergunta que me deprime. Não, não estou fazendo o que gostaria, não estou onde gostaria de estar, mas o que posso fazer de imediato? Largar tudo seria a mais completa loucura. Viver apenas pelos meus prazeres e não só pelas responsabilidades.
Porém, acredito que consigo dosar tudo isso. Faço o que tenho que fazer, meio a contra-gosto, forçada pela situação, mas não deixo de me divertir, admirar o que a vida me dá de belo, pensar no meu amor, reviver momentos...
Pensando bem, se hoje fosse o meu último dia de vida, eu faria o que tenho que fazer sorrindo, porque um sorriso é capaz de melhorar tudo. Faria tudo que me desagrada, mas colocando tudo de mim, aguçando meu olhar para buscar o lado bonito de tudo.
Por pior que as coisas possam parecer, depende de nós, da nossa capacidade de ver o copo meio cheio para fazer o nosso dia valer a pena.

Porque só depende de mim se meu dia será bom ou ruim.

Sunday, June 15, 2008

Datas Comemorativas

"Te dou meu coração, queria dar o mundo"
(Roupa Nova - Seguindo no Trem Azul)

Esse post era para ter entrado no Dia dos Namorados, porém o tempo tá apertado com o final do bimestre...
Tenho refletido sobre o assunto "datas comemorativas". No dia das mães disse que não tava a fim de escrever e agora o dia dos namorados acabou passando batido também. Volto a reforçar: não é descaso não. Mas ultimamente essas datas têm perdido o seu valor sentimental e tudo que vemos é uma enxurrada de marketing como se o amor pudesse ser vendido, comercializado ou até mesmo medido de acordo com o tamanho do presente ou do cartão ofertado. Nem o nascimento e ressurreição de Cristo (Natal e Páscoa) estão livres desse tipo de comércio.
Porém para mim, eu adoro comemorações, e essas datas específicas têm significados especiais. Elas são uma forma de quebras a rotina, a correria diária que nos impede de olhar nos olhos de quem amamos e ofertar um beijo singelo. Não amo meu pai, minha mãe, meu namorado, meus amigos somente nesses dias, porém, é movida pelo sentimento de festa, que mudo minha rotina nesse dia para me fazer presente, estar presente. É nesse dia que até uma frase tão comum como "Eu te amo" é dita de forma especial.
E não, não é preciso muita coisa. Não é necessário um cartão enorme, que a pessoa nem tem onde guardar depois, para representar o tamanho do meu amor. Aliás, o dia que meu amor (seja pelo meus familiares, amigos ou namorado) couber num cartão, eu mesma vou rever meus sentimentos, pois talvez eu não esteja amando o suficiente.
Um cartão, não importa um tamanho, tem simplesmente a finalidade de se fazer presente. Trazer os sentimentos de quem está longe querendo estar perto. Na verdade, nem é necessário o cartão. Basta palavras enviadas numa carta perfumada que já faz toda a diferença.
Há pessoas que se recusam a "comemorar" essas datas dizendo que são dias muito óbvios que não há surpresa em se dar presentes, cartões, cartas. Durante muito tempo esse ponto de vista me convenceu e muitas vezes abri mão da quebra de rotina. Mas hoje percebo que isso me faz falta. Não o presente, o cartão, a carta... Mas a lembrança, o estar e se fazer presente. E nem é preciso estar fisicamente junto.
Qualquer forma de lembrar daqueles que amamos já faz a diferença. E é tão simples de se fazer... Um e-mail, um sms, um telefonema qq forma de comunicação feita com amor, carinho e todo seu sentimento. Quando a gente faz isso, nem é necessário cartões enormes ou construções monumentais de presente. O coração já será suficiente.

Tuesday, June 03, 2008

Devaneios (também tenho os meus)


Ando tão romântica,
mas as palavras não me saem...
Estão todas presas no meu coração,
no meu pensamento.
Cavalo alado de tormento,
de saudade,
felicidade de momento.

Quero sair, gritar,
correr prá te encontrar.
Quero tirar seu sono,
quem sabe assim eu te ganho,
roubo um beijo,
me desmancho de desejo.

Leio poemas de amor,
busco nas palavras de outros
a melhor forma de me expressar,
de te amar,
te sentir...
Quero seguir lado a lado contigo,
sem esperar um minuto sequer,
ser sua mulher...

Quero, quero, quero
sua boca a cada segundo
seu corpo suado,
seu suspiro profundo
seu gemido calado,
na calada da noite
onde só a lua,
só a luz da lua nos acompanha.

Preciso me desfazer em palavras
para fugir no vento,
e no devaneio de meus pensamentos
te encontrar
do outro lado do oceano
só para dizer que te amo!

Paty - 03/06/2008

Thursday, May 29, 2008

Clube dos Cinco

Um dia resolvi aderir ao mundo virtual e montei esse meu blog. Escrevi um dia, dois... Daí passava meses sem escrever e assim foi por quase dois anos. Foi então que percebi que escrever em um blog é diferente do que escrever em uma agenda ou na última folha do caderno de faculdade. Quando eu encarava aquela folha branca e começava a rabiscar meus sentimentos, era simplesmente para mim, como uma forma de desabafo, para aliviar uma angústia ou comemorar egoisticamente uma alegria.
Porém, quando sento-me na frente do PC e escrevo nesse blog, eu estou literalmente lançando minhas Palavras ao Vento, libertando-as para que elas possam sair voando e pousar no colo das pessoas despertando sensações e emoções, sem distinção de raça, credo ou cor.
Quem me ensinou isso foi uma pessoa muito querida, que ao me apresentar ao seu blog, me fez sonhar e viajar em cada palavra. Elevou minha alma, me fez acreditar na minha espiritualidade, me fez sorrir, chorar, me revoltar e despertou em mim a vontade de me expressar não mais só para um caderno. Eu queria comentar aquelas palavras, escrever novos posts no meu canto para que fossem comentados também. E quando eu menos esperava, já estava vivendo na Borra de Vida. E, logo eu que nunca gostei de borra, estava me deliciando naquele mundo.
E a minha curiosidade foi maior. Me levou a outros escritos virtuais, onde comecei a compartilhar mais histórias, mais opiniões, mais palavras que adocicavam meu dia.
O que eu encontrei? Um outro canto que pertence a alguém que se diz metade vazia... Mas a outra metade... Ah, a outra é Metade Repleto transbordando sonhos, dúvidas, incertezas. Mostra-me um mundo o qual eu já pertenci e que eu adoro relembrar.
Desse canto foi um click para me ver perdida em meio aos Devaneios Aleatórios de uma menina moça que grita aos quatro ventos que é alguém e tem opinião própria sim, que a adolescência é difícil, causa conflitos, mas também nos deixa sensíveis ao mundo que, visto pelas suas palavras, parece tão menos perigoso e mais bonito.
E falta aqui um quinto lugar, que veio me jogando na cara que tudo que a gente precisa é amor. Sim, e fez isso em inglês ainda por cima, como na música ...All We Need Is Love! Trouxe no vento minuano um jeito todo especial de ver a vida, uma responsabilidade de início de carreira daquela pessoa que ainda não perdeu a fé nas palavras, nas pessoas, na vida.
E é isso que nós, Luiz, Mare, Luiza, Deise e eu, temos em comum: o amor pelas palavras e a esperança de mudar o mundo através delas. E isso está tão enraizado em nós que, inconsientemente, tomamos a responsabilidade de colorir a vida com essas palavras, por mais amargas e cinzas que de vez em quando elas possam parecer.
Porém o dia-a-dia não é só esse mundo de letras, frases, posts, mensagens. Há as responsabilidades reais: o vestibular, a luta diária por uma estabilidade no mercado de trabalho, as provas no fim do bimestre, o exercício teatral há menos de um mês da estréia, a internet que nem sempre ajuda.
Por motivos diversos e pessoais no início do ano deixamos de ter os Devaneios Aleatórios que me levavam de volta à minha adolescência. E agora, temos que nos mudar da Borra de Vida também, trocando essas palavras por mais um pedaço de realidade.
Agora estamos nós, Mare, Deise e eu, fazendo o possível para que o excesso de responsabilidades não soterre nossas palavras enquanto aguardamos a volta de nossos queridos amigos à rede.

Luiza e Luiz, não demorem, pois sentirei (e estou sentindo) falta do cantinho de vocês, que se tornou também tão meu.

Sunday, May 11, 2008

Somos tão jovens

Sei que hoje é dia das mães. Claro que minha mãe merece não só uma, mas várias homenagens... E, sinceramente, não gosto da idéia que seja hoje. É óbvio demais. Como minha mãe merece ser homenageada todos os dias, em breve farei um post para isso... Mas não hoje.
Além disso, não quero escrever hoje. Hoje minha alma necessita cantar. Talvez o grito de um leve desespero, talvez uma depressão de inverno, coisa passageira. Talvez por uma solidão de momento, por uma lágrima se formando no canto do olho. Talvez para recuperar um tempo perdido.
Sábio poeta... "Somos tão jovens..." E assim o seremos enquanto continuarmos nos apaixonando!!!

Tempo Perdido

Todos os dias quando acordo
Não tenho mais o tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo tempo do mundo

Todos os dias antes de dormir
Lembro e esqueço como foi o dia
Sempre em frente
Não temos tempo a perder

Nosso suor sagrado
É bem mais belo que esse sangue amargo
E tão sério e selvagem
Selvagem, selvagem

Veja o sol dessa manhã tão cinza
A tempestade que chega é da cor dos seus olhos
Castanhos

Então me abraça forte
E diz mais uma vez que já estamos
Distantes de tudo.

Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo

Não tenho medo do escuro
Mas deixe as luzes acesas

Agora,
O que foi escondido é o que se escondeu
E o que foi prometido
Ninguém prometeu
Nem foi tempo perdido

Somos tão jovens
Tão jovens
Tão jovens.

(Legião Urbana)

Friday, May 09, 2008

A um amigo...


Corra... mas não só! Antes de fugir, lembre-se de levá-la contigo. E quando encarar o espelho, apegue-se a ela, agarre-a para subir à superfície. E se sentires que não aguentas mais, deixe as lágrimas caírem por fora também para te aliviar. Não é vergonha, tampouco fraqueza, chorar, gritar, se desesperar... E mesmo que ninguém venha te acudir de imediato, ela tem que estar ali. É ela que vai manter a porta da igreja fechada para que as pedras não te atinjam, ela que vai suturar os cortes da alma, que vai aliviar a rouquidão, a tosse seca e os olhos vermelhos da fumaça... Além disso, ela também não vai te deixar fugir, porque só ela vai te mostrar a liberdade, as cores, Deus, o amor.
É por ela que os corredores cinzas se tornarão floridos e poderás deixar para trás as feridas e os traumas.
Ai como eu queria segurar sua mão nesse momento, deitar sua cabeça no meu colo e te fazer dormir. Transmitir a você a certeza que tudo se resolverá em breve. Colocar no seu bolso a Fé que lhe falta, para que ela te proteja e te acompanhe.
Por favor, eu e Iolanda te imploramos: LEMBRE-SE DA SUA FÉ!!! Estamos e estaremos sempre com você, uma de cada lado, sussurrando no seu ouvido:
"Se a fé remove montanhas, mas você tem que empurrar também, você deve continuar empurrando, mas sem deixar de lado sua fé. Senão, todo esforço será em vão!"
Força sempre!!!

Sunday, May 04, 2008

Luz e sombra

Fugir... correr... sentir o vento nos cabelos
Ah... liberdade que escapa entre os dedos...
Eterno apelo de um coração completo
Sonhador e indiscreto
Incapaz de esconder um sorriso de satisfação
Ou uma lágrima de decepção
Aquariano torto
Se desmanchando no bucolismo da vida
No saudosismo do amor
Na dor de ser o que é.
Ser fogo, ser água, ser ar
Presos num corpo de mulher!

Sunday, April 27, 2008

Romantismo Moderno

Essa semana me peguei falando algo que em outras épocas seria contrário a tudo que eu acreditava. Em uma conversa, me vi afirmando categoricamente que casar virgem é uma visão muito romântica nos dias de hoje. Acho que já passei pelas três fases do romantismo, já tive aquele ufanismo, já me entreguei ao mal do século achando que morreria aos 21 anos como os grandes românticos, já utilizei todos exageros possíveis e imagináveis (e ainda uso...). E como, logo eu, me dou o direito de criticar uma atitude romântica? Casar virgem é romantismo? E daí? Conheço pelo menos duas mulheres que se casaram virgens beirando os trinta anos em pleno século XXI e, ao que me consta, são muito felizes e não se arrependem.
Os tempos mudaram, o romantismo também. Hoje existem novos valores, outros olhos para ver a vida. Mas o romantismo não acabou. Poderia até existir uma nova fase, quem sabe um Romantismo Realista, ou um Romantismo Moderno.
E quanto aos que decidem não se casar virgens, isto é, quando decidem casar, não há falta de romantismo nenhum.
O fato do casal não ter cedido aos desejos no primeiro encontro, ter aguardado o momento e o lugar certo para fazer valer a pena, o fato da mulher fazer com que ele saiba que entre outros que já passaram pela sua cama, ele foi o escolhido para ficar nela para sempre. Fazer com que ele compreenda que ele não foi o primeiro no seu corpo, mas que será o último.
Isso é romântico, é ser romântica. O romantismo não está naquele que chegou primeiro e que pode querer ir embora um dia (e às vezes até vai), mas naquele que, entre tantas mulheres, se aninhou nos seus braços e deixa claro prá você que veio para ficar... prá sempre!!!

Tuesday, April 22, 2008

Para rir e refletir...


Dar não é fazer amor

Dar é dar.
Fazer amor é lindo,
é sublime,
é encantador,
é esplêndido,
mas dar é bom pra cacete.

Dar é aquela coisa
que alguém te puxa os cabelos da nuca,
te chama de nomes que eu não escreveria,
não te vira com delicadeza,
não sente vergonha de ritmos animais.

Dar é bom.
Melhor do que dar, só dar por dar.

Dar sem querer casar,
sem querer apresentar pra mãe,
sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.

Dar porque
o cara te esquenta a coluna vertebral,
te amolece o gingado, te molha o instinto.

Dar porque
a vida de uma publicitária em começo de carreira
é estressante, e dar relaxa.

Dar porque
se você não der para ele hoje,
vai dar amanhã, ou depois de amanhã.

Dar sem esperar ouvir promessas,
sem esperar ouvir carinhos,
sem esperar ouvir futuro.

Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para as mais desavisadas, talvez anos.
Mas dar é dar demais e ficar vazia.

Dar é não ganhar.
É não ganhar
um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro
quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém pra querer casar,
para apresentar pra mãe,
pra dar o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar:
"Que cê acha amor?".

Dar é inevitável,
dê mesmo, dê sempre, dê muito.
Mas dê mais ainda,
muito mais do que qualquer coisa,
uma chance ao amor, esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa,
cura o mau humor,
ameniza todas as crises e faz você flutuar
o suficiente pra nem perceber as catarradas na rua.

Se você for chata, suas amigas perdoam.
Se você for brava, suas amigas perdoam.
Até se você for magra, as suas amigas perdoam.
Mas... experimente ser amada."

Luís Fernando Veríssimo

Wednesday, April 16, 2008

Depoimento

"O meu nome é Luciana e vim contar a vocês que eu nasci no momento em que morri. Parece estranho, né? Mas é verdade. Foi assim, no momento em que me vi encarando aquele exame. Foi assim que a mulher de negócios, preocupada com a queda da bolsa e a alta do dólar foi soterrada por seus próprios pensamentos na vontade eminente de viver.
Mas já era tarde... Aquela mulher sem família, sem lugar fixo, sem tempo prá mais nada, já estava a sete palmos, coberta pela culpa de ter dito não antes mesmo de ter chegado ao altar, por ter passado pelas principais cidades do mundo e não ter sequer uma foto com a Torre Eifel ao fundo ou uma onde ela apareceria tentando segurar a Torre de Pisa.
Foi ali, com aquele resultado na mão que nasceu Luciana, jovem e viva, que decidiu olhar não só para frente, mas para os lados. Aquela que adiou a reunião em Tóquio para almoçar com o irmão, cunhada e sobrinhos. Aquela que, no dia de sol, errou o caminho do trabalho e foi parar no litoral com os amigos, comendo peixe à beira do mar. Aquela que marcou um dia a mais na viagem de negócios para conhecer a Ilha da Liberdade e constatar a Liberdade Iluminando o Mundo.
É interessante que a vida nos leva a morte, mas melhor ainda é constatar que da morte pode nascer a vida. E ao trocar o olhar sério pelo brilho de um sorriso, até a esperança de um novo amor reacendeu meu coração.
Quanto tempo dura o amor? Eu não sei, mas se a morte é apenas uma viagem, esse amor eu levarei comigo.
Quanto tempo dura a felicidade? Eu não sei, mas se o amor caminha ao meu lado, não há como não ser feliz.
Quanto tempo dura a vida? Eu não sei, mas com certeza será eterna para aqueles que foram plenamente felizes.
E não... não é difícil ser feliz. A felicidade é uma daquelas coisas que você encontra quando para de procurar... Assim como o amor... Assim como a vida.
Eu encontrei a minha, mas tive que encarar aquele resultado de exame primeiro. E você? Vai esperar a Dama Branca bater à sua porta? Cuidado, ela não costuma avisar quando está chegando, por isso, colham logo os seus botões de rosas, porque a pior queda é a morte em vida, e se há vida, jamais existirá a morte!
O exame? Deu negativo... É por isso que eu vivo!
Meu nome é Luciana e eu falei!"

Pense nisso!

Thursday, April 10, 2008

É assim que se morre...

Ares, deus grego da Guerra, corresponde a Marte na Mitologia Romana

Ela saiu no fim da aula, descontraída, rindo e falando alto com os amigos que iriam pegar carona com ela.
Fez o mesmo caminho até chegar no carro, que estava no mesmo lugar... O mesmo que há 3 anos estacionava para atender às aulas.
Tudo estava como sempre, exceto pelo rosto que espiava na janela e resolveu se manifestar:
_ Ei, você! Espere que eu vou tirar o meu carro de trás do seu para você não bater nele de novo.
Menina muito calma e tranquila. Não é da sua personalidade deixar-se atingir por coisas pequenas. Mas naquele dia, naquele momento, ela decidiu que aquilo não era uma coisa pequena:
_ Como assim? Quando eu bati no seu carro?
O senhor saiu da casa, falando alto e apontando o dedo na cara dela.
Mas quem ele pensa que é para fazer isso com ela? Ele nem sequer viu, sequer tem provas... e se viu, porque não falou na hora?
Ela levantou a voz também se defendendo, não poderia deixar que a acusassem tão injustamente.
Essa pirralha que mal tirou carta... quem é ela para falar assim com um senhor tão experiente? (Claro que só podia ser uma pirralha para causar tamanho estrago, se fosse um homem de 1,80m o senhor nem teria se dado o trabalho de interpelá-lo)
E a discussão continuou com uma senhora, esposa do velho, colocando a cabeça para fora da janela e gritando que era ela sim, a motorista que tinha batido no carro dias antes... afinal a senhora é a testemunha ocular, viu tudo.
Os amigos já dentro do carro gritavam para ela deixar prá lá e irem logo embora, mas ela não ouvia... estava totalmente influenciada por Ares, assim como o velho casal.
Foi no momento que os amigos decidiram sair do carro para acalmar aquela discussão que se ouviu o disparo. A arma na guia da calçada, o sangue se misturando com o resto de chuva da enxurrada, um corpo no chão.
De quem era o corpo, pouco importa... Tanto faz se era o da menina que não chegará a concluir o curso de direito ou do velho que não estará com seus netos no próximo natal.
O importante é lembrar daquelas letras garrafais que apareceram no momento e foram imprudentemente ignoradas:
VALE A PENA?

É... É assim que se morre!

Sunday, April 06, 2008

O Ciclo Sem Fim

Oroboros, do grego, aquele que devora a própria cauda e representa o eterno retorno, o verdadeiro ciclo da vida.

Estive pensando nas pessoas que nos deixaram nesse início de ano. Amigos, parentes, famosos que cumpriram suas missões na Terra e deixaram saudades de sua presença, sua alegria...
Em contrapartida, vejo também os anjos recém-chegados, recebidos de braços abertos e com festas, para integrar nosso círculo de amizades, aumentar a família. Vejo com alegria aqueles que ainda estão por vir, protegidos ainda e cuidados com carinho até chegar o momento de marcar a sua presença no mundo.
Assim, constatamos visivelmente o ciclo da vida acontecendo.
Fico imaginando quando vai acontecer comigo... Quando chegar a minha hora de contribuir com o meu gene para perpetuar a minha família e transmitir o meu legado. É algo que me assusta... me assusta ser mãe, mas é o instinto de toda mulher e, confesso, que nunca tive tanta vontade de sentir um novo ser se desenvolvendo dentro de mim, uma junção do amor sincero entre duas pessoas.
Já quis ser mãe por inúmeras razões: para segurar namorado, para agradar minha mãe, para que meu avô não partisse sem conhecer o bisneto, para tentar (em vão) salvar meu casamento...
Mas agora é diferente... Talvez pelo tempo passando e sussurando no meu ouvido que eu sou mulher e não posso esperar muito para decidir. Porém, não é só isso, é algo mais forte. É o fato de ter encontrado alguém com quem eu quero compartilhar mais esse momento, alguém com quem eu quero estar junto e não há outro motivo senão completar a nossa felicidade, apesar de saber que ainda leva um tempo para conseguirmos acertar nossa condição.
Sei que meu relógio biológico está correndo, mas não estou com pressa, ainda tem tempo. Quero aproveitar cada dia, cada momento compartilhado, cada palavra de amor trocada, cada lágrima de saudade, cada beijo de reencontro... tudo devagar e deliciosamente saboreado para fazer cada minuto valer a pena, para comemorar a conquista de cada obstáculo vencido.
Só assim eu estarei satisfeita na hora em que eu tiver que sair de cena. Satisfeita e realizada, deixando minhas palavras rabiscadas nas folhas de um velho caderno, saudades aqueles que participaram efetivamente ou não da minha vida e, principalmente, o legado que Brás Cubas negou, eternizando-me nas minhas gerações seguintes...
Tudo isso para deixar a minha marca nesse ciclo sem fim.

Thursday, March 27, 2008

Sobre ser Professora no sec. XXI

PLANEJAMENTO
Muito trabalho falta ser feito antes de anunciarmos nossa total incapacidade de progredir


Quisera eu dizer que a Educação nesse Estado é a melhor do país, que o governo lança estratégias de incentivo aos alunos e professores para que ambos façam da escola o seu segundo lar.
Quisera eu dizer que todos os alunos estão satisfeitos com os materiais enviados, os livros, a biblioteca bem suprida, as cadeiras e carteiras confortáveis que favorecem o seu ambiente de aprendizado.
Quisera eu dizer que os professores podem dedicar-se única e exclusivamente à escola pública onde trabalham, pois têm um salário digno que supre todas as necessidades e não precisam ficar desdobrando-se em dois empregos, ou duas escolas, pois seu trabalho é reconhecido, eles recebem o suficiente para estar a inteira disposição de seus alunos, sem contar que têm uma fartura de materiais para desenvolver seu trabalho.
Pois é... Sei que nenhum emprego é o paraíso, mas as coisas que acontecem dentro das escolas atualmente ultrapassa qualquer limite. E não dá para se ater a um só motivo... é tudo que influencia: a desmotivação dos professores, a falta de respeito e educação dos alunos, a falta de incentivo do governo.
Eu costumava ficar analisando a situação, tentando entender onde estava o problema...
Primeiro eu achei que o problema eram os alunos que chegam na escola sem a mínima noção de respeito ao espaço, ao professor e ao próximo.
"Educação vem de casa". Eu costumava ouvir isso quando era criança e isso foi de fato aplicado por mim, minha irmã, meus colegas... Agora veja o diálogo abaixo:

Professor: Menino, você fala assim com a sua mãe?
Aluno: Com a minha mãe eu falo pior!

Duvida que isso possa ser real? Sinto informar que fui testemunha ocular do fato. Como você ensina Educação e Valores Morais para alguém que não tem respeito ou consideração pela própria mãe?
Daí, depois de encontrar mais uma meia dúzia de respostas parecidas (ou piores) em cada uma das salas que a gente entra diariamente, a gente ainda escuta dos nossos governantes que os casos de violência nas escolas contra professores é mínimo e são isolados.
Pobre professora de Ribeirão Preto, espancada por um aluno de 14 anos em fevereiro desse ano... Ela deu o azar de tropeçar em um caso isolado.

Ah, então a culpa é do governo?
Eu diria que ele também tem a sua parcela de culpa. Ao invés de trabalhar com o incentivo, o governo insiste no castigo, criando recuperações paralelas aos sábados e no recesso escolar... Se ele investisse em aulas diversificadas para os alunos que mostrassem melhoria nas notas, que diminuíssem o índice de faltas, acredito que muitos iriam demonstrar muito mais interesse na escola.
Sem contar que essa história de recuperação não deixa de ser também um castigo para o professor... Que tudo o que quer é ter um salário digno e condições propícias de trabalho, materiais adequados e livros... É livros, porque a matéria de inglês não recebe livros, afinal eles são consumíveis e o governo teria de providenciar esse material todo ano.

Quem são os culpados, enttão?
Como quem? Nós os professores, claro!!! Nós, professores que aceitamos tudo calados, cada medida, cada convocação fora do nosso horário de trabalho. Nós, professores que trabalhamos 60 horas semanais para dar uma vida digna às nossas famílias. Nós, professores que perdemos a vontade de lutar por nossos direitos, porque estamos acostumados demais a sermos cobrados por nossos deveres... E os deveres dos alunos? E os deveres do governo? Quem cobra? Deveríamos ser nós, professores que deixamos de nos organizar para ir contra o que nos oprime.

Não é estar se fazendo de vítima, os fatos não estão só aqui, nesse simples relato de uma professora inconformada... Abra agora o Google e coloque "Professor Agredido", "Violência nas Escolas" e qualquer outro assunto sobre o que foi relatado aqui.

Quisera eu que tudo isso não passasse de um conto de ficção...

Friday, March 21, 2008

Voltando à mais valia


Discutindo em aula esta semana, observamos alguns exemplos da exploração dos produtores para com os atores. Os primeiros ficam com a maior parte do lucro pagando uma ninharia àqueles que, com toda boa vontade ou por extrema necessidade mesmo, se dispõem a realizar seu trabalho.
Poxa, se há um grupo, se existe essa idéia de grupo de teatro (e deveria existir) por que não dividir o lucro? Por que não valorizar o que cada um faz dentro do trabalho coletivo?
Fiquei abismada que dentro do grupo Cirque du Soleil todos têm o mesmo lucro: desde os atores até a faxineira. Cara, isso é fantástico!!! Claro que tem que ser assim, afinal, sem um palco limpo, em condições de uso, fica difícil de realizar um bom trabalho e dessa forma todos têm seus esforços valorizados, independente da função que exerce.
Já escrevi quase um tratado sobre o meu pensamento que os outros chamam de marxista (vide post "A mais valia vai acabar, seu Edgar" em novembro/2005) e hoje descobri que ele pode ter um outro nome: Pensamento Sistêmico. Soa mais bonito e causa menos atritos.
Mas o que me deixou mais aliviada e tranquila nessa aula, não foi chegar a conclusão que este é um pensamento certo ou errado. Foi constatar que esse é um pensamento utópico.
Pode parecer algo ruim, mas o professor disse algo que me convenceu. Segundo ele, ser utópico é o que o torna necessário, pois é a partir dele que buscamos soluções para consertar o sistema falho em que vivemos.

Obrigada Sérgio! Mais do que uma aula de produção, levo seus ensinamentos para a vida!

Monday, March 17, 2008

Contagem Regressiva

Quantas vezes você chegou em casa na sexta-feira dizendo aquela frase: "Ainda bem que amanhã é sábado"? Ou num momento de alta tensão soltou aquela: "Falta muito para o fim de semana"?
Quantas vezes você olha no relógio no decorrer do dia? Quantas vezes na semana você confere no calendário quantos tempo ainda falta para o próximo feriado prolongado?
E como te faz bem pensar que o tempo passará rapidinho para que você possa viajar com a família nas férias...
Ah, o tempo... ele passa, mas ele não tem pressa e muito menos fica fazendo hora. Ele dura exatamente o quanto tem que durar. Um minuto tem 60 segundos, nem um a mais, nem um a menos. O dia sempre dura 24horas, mesmo no horário de verão, pois a hora que perde-se quando ele começa, ganha-se quando ele termina.
Quanto tempo você gasta contando o tempo? Quantos preciosos minutos você deixou de aproveitar enquanto esperava chegar aquele momento especial?
O Homem é um ser racional, que evolui a cada dia nas suas pesquisas. É o topo da cadeia alimentar, portanto pode dominar todos os outros animais, todas as coisas... exceto o tempo. O tempo é implacável e vinga-se duramente daqueles que não sabem como aproveitá-lo.
Não, não estou falando em reorganizar a agenda, replanejar o dia... nada disso. Estou falando em aproveitar aquele minuto perdido que poderia ter sido usado para olhar uma estrela, fazer um pedido, agradecer a Deus, dar um beijo de boa noite no seu filho, pensar no seu amor...
Essas coisas não estão na sua agenda, mas são tão importantes quanto aquelas reuniões chatíssimas e diárias. Talvez até a importância delas esteja aí, no fato de não precisarem de hora marcada, dia certo. E por isso, acabamos por atropelar esses momentos em função do relógio.
Na hora que o seu relógio marcar meia-noite e você tiver que sair correndo da festa, qual será o seu último pensamento? Ficará pensando em quem vai organizar tudo depois, fazer os pagamentos, dispensar os serviçais... ou levará consigo a fisionomia daquela pessoa que dançou com você a noite toda?
Eu não sei vocês caros leitores, mas eu estou nessa festa para me divertir. E quando ela fica maçante, eu invento uma nova dança para me animar. E vou ter a paciência necessária para aguardar a chegada daquela pessoa especial, que vai ser no momento certo, nem um minuto a menos.
E é com essa pessoa que vou me perder no espaço-tempo contando estrelas, realizando desejos, agradecendo à Deus, dando beijos de boa noite nos nossos filhos e vivendo um amor forte e intenso, capaz de sobreviver ao tempo e vencer tudo, mesmo as maiores distâncias.

Texto dedicado principalmente a você, Luiz: a nós!

Wednesday, March 12, 2008

Ser Poeta



Devido a uma longa crise de falta de inspiração, fui pesquisar escritos de outros autores para poder atualizar esse blog... Encontrei um poema belíssimo de Florbela Espanca que deixo aqui para compartilhar com vocês, caros leitores. Deliciem-se:

Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda gente!